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terça-feira, 13 de outubro de 2009

Após fogo, famílias invadem prédio por 6 horas

Cerca de 200 desabrigados da favela Vila Nova Jaguaré (zona oeste de SP) --que pegou fogo na noite de anteontem--, invadiram e ficaram durante seis horas em dois dos 11 prédios da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado) em construção próximo ao local do incêndio.
• Revolta e cenas de destruição no retorno ao palco da tragédia
O grupo afirmou que o objetivo da invasão era chamar a atenção para o que considerou uma falta de ação do poder público para socorrer os desabrigados após o desastre. Como não tinham para onde ir, famílias inteiras ficaram na rua na noite após a tragédia.
revoltado, um grupo de cinco desabrigados se reuniu, por volta das 13h, no meio do terreno e disse que, se chovesse, os prédios seriam invadidos. A invasão começou cerca de cinco minutos depois, quando alguns homens derrubaram o muro de proteção que separava os conjuntos habitacionais da extinta favela. Mulheres e crianças entraram nos apartamentos logo em seguida. Dois prédios com 12 apartamentos cada foram complemente tomados.
Só cinco seguranças privados protegiam os 11 prédios no momento da invasão. Sete guardas-civis e dez policiais militares chegaram em seguida. Às 16h30 uma comissão de moradores se reuniu com representantes da prefeitura, que não se identificaram para a imprensa. "Não vamos sair daqui para um albergue ou abrigo sem a garantia de que seremos incluídos em um programa habitacional", disse o líder Elias Ferreira Santos, 26 anos, da União dos Moradores de Vila Nova Jaguaré.
No início da noite de ontem, houve uma nova reunião com representantes da prefeitura e os desabrigados concordaram em deixar os prédios da CDHU. Por volta das 19h20, os desabrigados deixaram o prédio e foram levados para o Clube Escola Jaguaré, onde passariam a noite. O destino definitivo das famílias não estava definido ontem à noite.
Elas apenas receberam a garantia da Secretaria Municipal da Habitação de que um novo cadastramento seria feito e o caso de cada desabrigado seria analisado individualmente. Lideranças comunitárias disseram para representantes da prefeitura que gostariam de separar os necessitados dos oportunistas.
Cestas básicas
A Defesa Civil distribuiu 320 cestas básicas e 720 colchões e cobertores na madrugada de ontem. A ajuda foi considerada insuficiente por moradores, que reclamaram que não havia onde cozinhar os mantimentos ou se abrigar.
Revolta e cenas de destruição no retorno ao palco da tragédia
Moradores manifestaram revolta contra as autoridades ontem, no dia seguinte ao incêndio da favela Vila Nova Jaguaré, que destruiu aproximadamente 300 barracos, segundo os bombeiros.
Na volta ao palco da tragédia, eles encontraram pilhas de escombros dos barracos incendiados; brinquedos, talheres, panelas e eletrodomésticos incinerados e corpos de animais carbonizados. Moradores caminhavam sobre pedaços de telhas para não ferir os pés enquanto tentavam encontrar algum pertence preservado.
A doméstica Franciane Renata Martins, 19 anos, uma das desabrigadas, aguardava doação de roupas e alimentos no local na manhã de ontem. Ela morava com o filho de um mês em um dos barracos que foram destruídos
"Perdi tudo: berço, roupas e todo o enxoval do meu bebê", disse. Ela afirmou ainda que não tinha dinheiro nem para ir até a casa de sua mãe, em Mogi das Cruzes (Grande São Paulo), uma vez que todas as suas economias também foram queimadas.
Ela lamentava um Dia da Criança que não se apagará de sua memória. "Era para ser inesquecível, por estar pela primeira vez com um filho, e não deixará de ser, mas de outra maneira", disse.
Ângela Maria da Silva, 48 anos, estava no meio do terreno --onde ficava seu barraco-- apoiada em um cabo de vassoura. Ela já foi catadora de papel, mas após sofrer uma paralisia, passou a depender do filho, que acabou sendo assassinado há cinco anos. Nos últimos cinco anos sobrevivia apenas da solidariedade de vizinhos, que faziam doações.

"Agora não sei mais o que vou fazer", afirmou.

Já dentro de um dos apartamentos temporariamente invadidos do CDHU, o ajudante geral Caíque Bezerra da Silva, 18 anos, justificava a invasão. "É uma forma de chamar a atenção, como se fosse uma desobediência civil. Se não fizermos isso, eles não vão nos ajudar. Ninguém aqui tem a intenção de destruir nada", disse.



Jair Ribeiro (Juquinha) Jornalista comunitário

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