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quinta-feira, 10 de março de 2011

Carnaval da Morte e Minas Gerais



O IML de Poços de Caldas confirmou de pelo menos 15 pessoas mortos durante um acidente com um trio elétrico em Bandeira do Sul, no Sul de Minas, Todos os corpos já foram identificados e liberados.

Velórios

Os corpos das nove vítimas de Bandeira do Sul foram velados no ginásio esportivo da cidade.
O acidente
Segundo o Corpo de Bombeiros, o trio elétrico estava estacionado em uma praça quando um folião, ainda não identificado, jogou uma serpentina laminada em um fio de média tensão de sete mil Volts, o que causou um curto. O fio caiu e atingiu o trio elétrico, que passou a ser condutor de energia elétrica. Os mortos e feridos estavam ao redor do trio elétrico. Outras 50 pessoas ficaram feridas e foram atendidas em hospitais de Bandeira do Sul, Poços de Caldas, Botelhos e Campestre.
As vítimas e os feridos receberam a descarga elétrica ao redor do veículo. Os feridos foram levados para hospitais de quatro cidades. Além de Bandeira do Sul, há vítimas em Poços de Caldas, Botelhos e Campestre. Centenas de moradores foram para a frente do hospital de Bandeira do Sul após o acidente.
Rodrigo Teixeira, que mora em Andradas e foi brincar pré-carnaval em Bandeira do Sul, conta que havia pelo menos 20 pessoas em cima do trio elétrico, incluindo os integrantes da banda que animaria a festa.
No momento do acidente Rodrigo estava próximo ao local, "senti um forte calor e depois um clarão", disse. Na opinião de Rodrigo, o problema pode ter sido agravado pois "havia muita gente brincando com água na hora que os fios caíram".

As vítimas:
Jaqueline Maria Lopes -19 anos, de Bandeira do Sul
Admir Ramos do Lago - 36 anos , de Bandeira do Sul
Josmarque Henrique de Melo - 18 anos, de Bandeira do Sul
Jéssica Helena da Silva - 17 anos, de Campestre
Wellington Diego dos Reis - 22 anos, de Campestre
Fábio Henrique Santos Domingues - 16 anos, de Machado
Karistone Felipe da Silva - 13 anos, de Bandeira do Sul
Wesley de Paula Ferreira - 16 anos, de Bandeira do Sul
Paola Freddi Marcolino - 17 anos, de Bandeira do Sul
José Grélio Olário Roseno - 24 anos, de Poços de Caldas
Marcos Ruela Faria Silva - 33 anos, de Monte Belo
Kalebe Edson Andrade - 15 anos, de Botelhos
Flávio de Cássio Tibúrcio - 18 anos, de Botelhos
Luan Thales de Bem - 20 anos, de Campestre
Adriene Caroline Assis Zanetti - 13 anos, de Bandeira do Sul
Moradora de Bandeira do Sul fala sobre acidente com trio elétrico
Ela estava na porta de casa quando houve um choque de cabos de energia.
De acordo com a PM, 16 pessoas morreram.
"Eu vi o acidente. Na hora, corri com os meus netos pra dentro (de casa) e não saí mais. Não queria ver os mortos", disse Maria Aparecida de Oliveira, moradora de Bandeira do Sul, na Região Sul de Minas Gerais. Ela estava na porta de casa na hora em que um cabo de energia foi partido e atingiu um trio elétrico e pessoas que estavam em um pré-carnaval na praça da cidade, neste domingo (27). De acordo com a Polícia Militar, 16 pessoas morreram.
Maria Aparecida chora ao telefone, durante a conversa com o G1. "Não tem parente, não, mas tem os filhos das minhas amigas. Entre 13 e 14 anos. Meus netos assustaram, e eu também. Foi um barulho e um fogo muito alto, muito grande. Os fios mais grossos, mais altos, caíram", disse.
Uma professora, que pediu para não ser identificada, disse que a praça onde estava o trio elétrico é próxima à casa dela. Mas ela não estava na hora do acidente. "Cheguei na praça e vi tudo. É inexplicável. É doído demais. Não tem só vítima da cidade. Tem vítima de Poços (de Caldas), tem vítima de Botelhos". A moradora disse que, entre os mortos, estão adolescentes. "Eu sou professora. Tenho alunos adolescentes entre os mortos. Não tem parente meu, graças a Deus. Mas é todo mundo tão amigo que parece parente", relatou a professora, ainda chocada com a notícia.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, dezenas de pessoas ficaram feridas. Elas estão sendo atendidas no Hospital Paulina Damen, em Bandeira do Sul, na Santa Casa de Poços de Caldas e no Hospital São José, em Botelhos.
Segundo a Companhia Energética de Minas Gerais
( Cemig), uma serpentina metalizada teria sido jogada em um cabo de média tensão, de cerca de 7 mil Volts. O cabo teria se partido e caído no chão, atingindo também o trio. Com o acidente, a cidade está sem energia.
Polícia abre inquérito para investigar causa de acidente Versão de que um homem jogou serpentina metalizada sobre a rede elétrica é a mais forte; suspeito foi identificado
A Polícia Civil aguarda laudo da perícia técnica para confirmar que o contato de uma serpentina metálica com a rede de energia elétrica provocou a tragédia que matou 15 pessoas e deixou 56 feridas em Bandeira do Sul, no Sul de Minas. Nesta segunda-feira (28), a Cemig descartou que o cabeamento no município tivesse problemas e garantiu que fez uma manutenção no local, a pedido da prefeitura, cinco dias antes do evento pré-carnavalesco.
Segundo a empresa, o tempo entre o curto-circuito e a desativação automática da rede foi de três segundos. Neste intervalo, os cabos de energia rompidos atingiram o trio elétrico e parte da multidão de 6 mil pessoas que o acompanhavam no início da noite de domingo. A descarga elétrica foi de 8 mil volts. A Prefeitura de Bandeira do Sul decretou luto oficial de três dias. Moradores de lá e de Campestre, Poços de Caldas, Botelho e Machado, todas cidades no Sul de Minas, velaram as vítimas.
De acordo com o delegado Ademir Luiz Corrêa, que preside o inquérito, os indícios de que o curto-circuito foi provocado pela serpentina são fortes. Mas o policial não descarta outras possibilidades e diz que somente o laudo da perícia, que deverá sair em dez dias, poderá confirmar a versão de testemunhas. Elas começaram a prestar depoimento nesta segunda.
A polícia já tem um suspeito. Imagens de uma emissora de televisão que mostrariam o exato momento em que ele lança a serpentina para o alto serão analisadas e poderão permitir a identificação do responsável pelo acidente. A tragédia aconteceu na Praça Nossa Senhora Aparecida, no Centro da cidade. A versão de que teria sido causada após o trio elétrico bater em um poste foi descartada, já que ficou confirmado que o caminhão estava parado no momento do acidente. O veículo tem a documentação regular e foi apreendido para novas perícias.
O delegado não acredita que o acidente tenha sido um ato criminoso. No entanto, o autor poderá responder por homicídio culposo – quando não há intenção de matar. “Mesmo não sendo intencional, se forem comprovadas as informações que temos, trata-se de uma atitude imprudente, pois a embalagem do produto orienta que ele deve ser usado longe da rede elétrica”.
O coordenador geral do Sindicato dos Eletricitários (Sindieletro-MG) , Jairo Nogueira, alega que a manutenção da rede elétrica em todo o Estado é precária, e que o sistema deveria ter se desarmado assim que os fios foram rompidos. Mas o superintendente de Relacionamento Comercial da Cemig, Ricardo Rocha, afirma que não houve falha. “Estivemos em Bandeira do Sul no dia 23. A manutenção previa a presença do trio elétrico, por isso toda cautela necessária foi tomada”.

Festa sem plano de prevenção

O delegado responsável pelo caso, Ademir Luiz Corrêa, vai questionar a Prefeitura de Bandeira do Sul e os organizadores do evento pela falta de um plano de prevenção e pânico para o pré-carnavalesco. O projeto deveria ter sido aprovado pelo Corpo de Bombeiros.
Para o subcomandante da 2ª Companhia do 9º Batalhão dos Bombeiros de Poços de Caldas, Douglas Martins , a prefeitura deveria ter solicitado a elaboração do documento conforme determina a lei estadual 14130/2001. A falta dele pode implicar multas, interdição e advertência aos responsáveis. A área de abrangência da companhia inclui Bandeira do Sul.
Mesmo não recebendo a solicitação, o Corpo de Bombeiros garante que vistoriou o local onde foi realizada a festa. Porém, não constatou riscos suficientes para suspender o evento.
O militar acredita que a existência do plano não teria evitado o acidente. “Se tivesse um risco iminente, se tivesse um palco caindo ou um trio elétrico em más condições, poderíamos pedir a interdição. Mas trata-se de uma fatalidade cometida por alguém que não respeitou as orientações de uso do produto. Este é um caso que dificilmente poderia ser prevenido”.
O tenente dos Bombeiros alerta para os riscos que os foliões correm durante grandes eventos, como o Carnaval de rua, por mais que as forças de segurança se empenhem para garantir a integridade física do público.
Ele criticou a livre comercialização do lançador de serpentina metálica, diante do perigo que ele oferece. Diferentemente de fogos de artifícios, onde há um maior controle na venda e na própria utilização, o dispositivo, apesar de perigoso, não sofre nenhuma restrição de uso.
Outro perigo apontado pelo militar foi visto nas ruas de Bandeira do Sul: jatos d’água sendo lançados na multidão. “Se a água atinge a rede elétrica, se torna condutora de energia”, diz o bombeiro, para quem o líquido pode ter potencializado a condução da energia entre as vítimas.
O alerta de redobrar as atenções também serve para que vai curtir as festas em cima de trios elétricos ou carros alegóricos. Os riscos de colisão com a rede elétrica ou a queda provocada por galhos de árvores são iminentes.
A orientação da Cemig quanto aos dois tipos de veículos é de que os motoristas não trafeguem sob a rede elétrica energizada, já que a altura desses veículos pode ser maior que a dos cabos.
Segundo a Cemig, os promotores do evento devem considerar a altura do veículo e das pessoas sobre ele em relação à fiação e aos demais obstáculos

Fonte: hojeemdia.com.br

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