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domingo, 24 de julho de 2011

Injeção de glicerina Vira moda em hospital



Uma aposentada de 75 anos morreu depois de receber glicerina em vez de soro no Hospital Geral de Missão Velha, a 506 km de Fortaleza, na última quarta-feira (20), de acordo com o médico plantonista Rodrigo Viana. A troca foi percebida quando a paciente, que sofria de insuficiência respiratória aguda, chegou ao hospital da cidade vizinha, o São Vicente, em Barbalha, na mesma quarta.
“Logo que ela chegou percebi que não era soro e fiz a troca. Agora, só o laudo do IML (Instituto Médico-Legal) pode dizer a causa da morte”, diz o médico plantonista Rodrigo Viana que detectou a troca ao receber a paciente no hospital São Vicente. Procurado pela reportagem, o Hospital de Missão Velha não quis se pronunciar sobre o caso.
Segundo Viana, na maioria dos casos, a glicerina é usada apenas de forma retal para realizar lavagem intestinal e aplicada na veia pode matar. “Acredito que alguém do Hospital de Missão Velha confundiu as bolsas (de soro) com as de glicerina”, diz o médico. A prescrição médica realizada em Missão Velha previa soro e esta estava correta, segundo o médico.
Viana explica que, aplicada de forma intravenosa, a glicerina pode ocasionar embolia (obstrução de veias). Após o óbito da aposentada, apenas duas horas após sua entrada no Hospital São Vicente, a instituição que identificou o erro registrou um Boletim de Ocorrência se eximindo de responsabilidade e solicitou laudo do IML para saber a real causa da morte.
A delegacia de Barbalha investiga o caso. Segundo o delegado Marco Antônio, os depoimentos de vários profissionais do Hospital de Missão Velha já foram tomados e todos afirmam ter visto uma auxiliar de enfermagem aplicar a bolsa, acreditando se tratar de soro. “Agora vamos convocar a enfermeira (auxiliar) para depor. Se confirmado pelo laudo do IML que a causa da morte foi a glicerina, ela pode ser indiciada por homicídio culposo (quando não há intenção de matar)”, destaca o delegado.
O laudo do IML deve sair em oito dias. A secretária de saúde de Missão Velha, Elisian Fechine, por telefone, informou que a instituição não é municipal, “É filantrópico (o hospital). Nós apenas alugamos os serviços deles”, afirma. A secretária disse ainda ter solicitado ao hospital o afastamento da funcionária suspeita de ter cometido o erro até que saia o resultado do laudo do IML.

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