A Voz do Povo

Anuncie Aqui

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Lindemberg nega intenção de matar Eloá



Lindemberg Alves Fernandes, réu pela morte de Eloá Pimentel, em 2008, afirmou nesta quarta-feira que os dois haviam retomado o namoro em segredo dias antes do início do cárcere privado, em Santo André, no ABC Paulista. À juíza, ele afirmou que não foi ao apartamento com a intenção de matar a adolescente, mas que se surpreendeu ao
encontrá-la com colegas no local. Ele disse ainda que andava armado porque sofria ameaças de morte.
"Fiquei surpreso com a presença do Iago (de Oliveira), do Victor (de Campos) e da Nayara (Rodrigues) no apartamento. A Eloá ficou assustada ao me ver", disse. A jovem, segundo ele, não conseguiu explicar o que os três estavam fazendo lá, começou a chorar e gritar. Ele questionou sobre a relação de Victor com ela. "Ele disse 'eu dei uns beijos nela' e a Eloá fez um barraco", disse. Lindemberg, então, mostrou a arma que carregava e pediu para conversar com a namorada sozinho, mas os três se recusaram a deixar o apartamento.
Lindemberg confirmou que disparou contra Eloá no momento da invasão da polícia
Lindemberg afirmou que os dois namoravam desde 2006 e haviam terminado em setembro, três semanas antes do cárcere. O réu afirmou que tentou voltar com Eloá diversas vezes, mas a adolescente recusava. "Ela me deu uma canseira (nas tentativas de reatar) e eu pensei 'preciso retomar minha vida'." Ele disse, então, que ficou com uma menina, mas que Eloá descobriu, chorou muito e pediu para voltar.
Quando retomaram o relacionamento, o casal fez, segundo Lindemberg, um "pacto" para não contar a ninguém porque a família de Eloá não poderia saber, uma vez que a jovem teria mentido que Lindemberg havia batido nela. "Acho que a Eloá não tinha coragem de expor ao pai que ela tinha mentido sobre a agressão", disse.
O réu disse que recebeu ligações com ameaças de morte de números não identificados. Segundo ele, as ameaças eram sem motivo. "Tinha muito medo de morrer", afirmou. Lindemberg afirmou que, devido às ameaças, comprou uma arma "de um senhor que precisava de dinheiro para voltar para sua terra".
Trágico desfecho
Segundo Lindemberg, os amigos de Eloá se negaram a deixar o apartamento quando ele exigiu ficar sozinho com a ex-namorada. Por isso, ele considerou que os três não foram mantidos em cárcere privado. Segundo o réu, eles podiam entrar e sair a hora que quisessem, mas ficaram por solidariedade à Eloá.
Lindemberg disse também ter ficado muito nervoso com a chegada da polícia, no primeiro dia de cárcere. "A situação tinha ficado difícil", disse. Segundo ele, Eloá começou a gritar muito e ele mostrou a arma para a namorada, mas a polícia viu. "Agora eu estava em um processo que eu não sabia como contornar a situação, eu estava perdido."
Ele negou ter disparado contra o sargento Atos Valeriano e classificou a acusação de tentativa de homicídio contra o PM como "ficção". "Eu fiquei sabendo pela minha advogada. Fiz disparos para o chão (da janela), mas para policial nenhum", disse, classificando os tiros como ato de nervosismo.
Lindemberg ainda disse que tinha medo de se entregar porque Eloá lembrou "um fato que aconteceu com um ônibus no Rio de Janeiro, em que uma refém foi baleada" - em referência ao sequestro do ônibus 174, que terminou com uma refém morta após a polícia disparar contra o seqüestrador.
Ele confirmou que atirou contra Eloá após a explosão da porta. "Quando a polícia invadiu, a Eloá fez menção de levantar e eu, sem pensar, atirei. Foi tudo muito rápido", afirmou. Ele acrescentou que não poderia afirmar que havia atirado contra Nayara porque não se lembrava.
Pedido de perdão a mãe de Eloá
No início do depoimento, Lindemberg falou sobre a mãe de Eloá, Ana Cristina Pimentel. "Quero pedir perdão para a mãe dela em público, pois eu entendo a sua dor", afirmou. "Estou aqui para falar a verdade, afinal tenho uma dívida muito grande com a família dela", acrescentou.
Ele afirmou que o gesto que fez para Ana Cristina na terça-feira, no plenário - considerado pela mãe de Eloá como um sinal de "alivia a minha barra" -, foi na verdade um pedido de perdão.
O mais longo cárcere de SP
A estudante Eloá Pimentel, 15 anos, morreu em 18 de outubro de 2008, um dia após ser baleada na cabeça e na virilha dentro de seu apartamento, em Santo André, na Grande São Paulo. Os tiros foram disparados quando policiais invadiam o imóvel para tentar libertar a jovem, que passou 101 horas refém do ex-namorado Lindemberg Alves Fernandes. Foi o mais longo caso de cárcere privado no Estado de São Paulo.
Armado e inconformado com o fim do relacionamento, Lindemberg invadiu o local no dia 13 de outubro, rendendo Eloá e três colegas - Nayara Rodrigues da Silva, Victor Lopes de Campos e Iago Vieira de Oliveira. Os dois adolescentes logo foram libertados pelo acusado. Nayara, por sua vez, chegou a deixar o cativeiro no dia 14, mas retornou ao imóvel dois dias depois para tentar negociar com Lindemberg. Entretanto, ao se aproximar do ex-namorado de sua amiga, Nayara foi rendida e voltou a ser feita refém.
Mesmo com o aparente cansaço de Lindemberg, indicando uma possível rendição, no final da tarde no dia 17 a polícia invadiu o apartamento, supostamente após ouvir um disparo no interior do imóvel. Antes de ser dominado, segundo a polícia, Lindemberg teve tempo de atirar contra as reféns, matando Eloá e ferindo Nayara no rosto. A Justiça decidiu levá-lo a júri popular.

Análise: TVs e público elegem advogada de Lindemberg como a vilã do julgamento
Como num reality show, o julgamento de Lindemberg Alves seduz o público não apenas pela possibilidade de espiar a intimidade alheia, mas de julgar os envolvidos no caso.
Proibidas as filmagens dentro do tribunal, as equipes de televisão se esmeram em colher depoimentos na rua e em debates no estúdio. Mas há pouca coisa para ver. É mais fácil avaliar e julgar.
Não há, porém, muito mais o que dizer sobre o acusado, cujo crime foi acompanhado exaustivamente à época, ao longo das mais de cem horas em que manteve a jovem Eloá sob cativeiro. Assim, o alvo principal deste julgamento é a advogada de Lindenberg.
Como já ocorreu em outros casos rumorosos, o julgamento ajuda a transformar, de uma para outra, jornalistas em especialistas em direito. Faz parte da profissão. O que é menos comum é ver colegas no papel de magistrados, opinando com segurança sobre o desempenho de Ana Lucia Assad.
Nos programas matinais e vespertinos da TV, o desempenho da advogada de Lindemberg está sendo avaliado por jornalistas com a mesma sem cerimônia que julgam lances polêmicos em partida de futebol.
A advogada está em busca de seus 15 minutos de fama, diz um. Está apenas querendo tumultuar, diz outro. Está desesperada, afirma um terceiro. Mas ela pode mesmo abandonar o julgamento?, indigna-se um quarto.
Fosse colocada num paredão do "BBB", Ana Lucia Assad seria eliminada com larga margem de votos. Virou a vilã do julgamento. Está sendo hostilizada pelo público - o mesmo que xinga ator que interpreta vilão em novela.
Um espetáculo.

Jair Ribeiro (Juquinha)

2 comentários:

  1. ENTAO SE FEZ JUSTIÇA, BOM, MAS ACABOU, INFELIZMENTE MAL, NAO JULGO...E A ADVOGADA FEZ A PARTE DELA, TALVEZ ATE PENSE COMO TDS, S EFEZ JSUTIÇA
    MAS SE CONTRATADA NAO PODE FALAR

    ResponderExcluir
  2. esse cara vai pensar melhor no que fez por que ele teve todas as chances para poder mudar a historia em não matar a Eloá mas preferiu que a historia fosse escrita de maneira trágica.
    98 anos e 8 meses ta de bom tamanho para esse Rapaz, não podemos esquecer que no brasil existe outros Lindeberg que ainda continua barbarizando mulheres por todo o brasil e outras Eloá morrendo como se fosse frango.

    ResponderExcluir

Veja os Telefones Uteis Clicando aqui

Cantinho do Leitor